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........................................................................................12 outubro
disserto devagar........ mui devagar
sobre o significado das coisas insignificantes
como o acaso........ o ocaso........ para constatar que
se me apercebesse do valor do ser
transformar.me.ia numa lagartixa
não gozem!
é este o sinal da idade quando começa a dei
xar marcas na face que se olha ao espelho
velhos são os trapos –
dirão os magos do discurso fácil
para contentar com palavras revestidas de
chocolate e chantilly as rugas que o tempo vai
deixando marcadas em rostos esculpidos na pedra
não temo o preço do tempo........ temo
(outrossim)
a pressa com que o mesmo me retira a capac
idade
de correr atrás do inverosímil........ tenho dentro da mi
nha cabeça uma vontade enorme de pintar
novas palavras com as quais alguém........ um dia
tecerá critérios de impaciência escritos ao
inverso da minha razão
pouco importa o valor do meu verso
se outras bocas que não as minhas o soletrarem
devagar........ mui devagar........ a fim de despi.lo
de preconceitos comprados numa loja dos 300
ou dos chineses........ conforme o dialecto
espero em cada significado insignificante
deixar o cunho da minha idade feita água
vento........ fúria ou desacacto........ para que decifrem
o enigma do meu sorriso comprado ao desbarato
que ninguém se lembre de me recordar em choro por
que sou uma lagartixa que corre desvairada ao
encontro das marés vivas e
se alguém me encontrar entre um ponto final e
uma vírgula........ por favor
estenda.me um lençol de reticências para que
me possa re Inventar
numa enorme gargalhada
-santiago carbonell
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