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.........................................................................................16 de novembro
se me deixar levar pelo som brando da noite
erguerei paliçadas para que o verbo possa correr ao
encontro da manhã
tentarei fazer de mim o barco vidente que
os transportará para o outro lado dos ensejos en
quanto o rosto do primeiro homem se cruzará com
o sorriso da primeira mulher e
esse encontro primevo
parecerá o início de uma outra estação onde se
esconderão os ritmos de um novo conjugar
confessarei ( então ) sem qualquer pudor que
o mundo não passa de um vulcão onde a
lava se confunde com a baba arrastada
do vagamundo de mim que ao roubar a
estrela maior ousou revesti.la de novas memórias
ou velhas ilusões
ousarei o tempo e
da chuva farei o elo necessário a
fim de atravessar o abismo de um poema composto
a quatro mãos
como se cada momento fosse o princípio e não
o fim de um degredo consentido pelo
acto de concepção
abro os olhos
atravesso o abismo e
inscrevo.me no orvalho matutino pronta a revestir
de branco a tristeza que a lua deixou pendurada
na minha mão
certa de que nenhum ladrão de
sonhos ousará pintar de vermelho o amarelo do sol
apago.me no silêncio arrastado dos dias mortos
para reerguer sobre a minha cabeça
( se o verso assim o consentir )
um turbilhão de metáforas envoltas em sobres
salto
serei do rio a vaza.mar
-vladimir clavijo.
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