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..........................................................................................23 de dezembro
gostaria de escrever um poema perfeito
muito perfeito
mas não sei...... deixam.me as palavras
presa a uma insustentável tristeza
anátema de um cogitar que só eu posso
traduzir...... mas não quero
sento.me na primeira sílaba entregue à
conjugação do verbo e converso baixo com
a justeza que
teimosa
mente
se alapa à folha branca que
balouça no meu colo
deixo.as suspensas neste jogo que me apraz e
aguardo
um
dois
três minutos
qualquer sortilégio que apague a
vontade que me atravessa e se atém à razão
sei.me aquém ou
muito além do fogo
mas não sei o que me reserva o outro lado
do acordar quando a vigília do sono me
oferece de bandeja o poema
mais bem concebido mas que não ousarei
visto.me de pergaminho e aguardo
ninguém
me indica a passagem que devo tentar a fim de
chegar à fonte
na minha escrita sempre houve uma fonte
uma árvore
e um pássaro
prontos ao sacrifício
responso do belo ou sede dos deuses?
-constantino di renzo.
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