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..........................................................................................28 de janeiro
sou um agripoeta pronto a ceifar lugares comuns ou
a mondar teias de aracnídeos abocanhados no al
voroço das quimeras semeadas a esmo
sem medo
planto girassóis
rodeada de répteis com os quais aprendo a
juntar silêncios para no meio dos tumultos erguer
taças de puro néctar e
se alguém me tomar em troca de um velho Porto
escrevo como rótulo de apresentação
o meu fascínio pela transgressão com a cumplicidade
de um beijo ou com as palavras esculpidas entre a
alegoria e o desdém
sofro de insónias
quando céptica me abandono ao abraço do
vagamundo da prostituta ou do marginal que se
lançam
sem medo ante o abismo
deslizando por camadas de afectos sem nomes e
sem idades
detenho.me na ponta da lança presa ao arame
onde as minhas mãos se rasgam e
entre o silêncio da montanha ou o rugido do mar
reaprendo o eco a fome e a velhez
que deslizam mui perto de mim
cobertos pela patina do tempo
decido.me pela náusea
porque no resquício fracturante de mim
sou um consumido resto de gente enquanto
os mutantes se revêem ao arrepio do sagrado
lucíferos ousam.se os poetas à revelia
-santiago carbonell
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