08/07/09

(des)construção 2 .na solidão de nascer

encosto as mãos à face de uma mulher
de corpo inteiro em mar azul
havida na solidão do amor

moldo.a com a espuma levantada
pelas quilhas dos barcos que
acostam a um porto seguro
rompem.se as vagas do acto de partir e
a pouco e pouco
a viagem destece a teia que
prende a mulher
ela não é uma mulher qualquer
antes
uma mulher em fuga para a noite
uma mulher cujo corpo estelar se abre e
dele dimana um texto feito de si e
em si
gótico como a catedral de saint.denis

imprimo o nome dessa mulher que
se cola a mim
destecida nas raízes da inocência
é branco o seu choro dentro das ondas que
lhe ceifam o corpo inteiro
mas é azul o mar
a sua respiração inicia o balanço moroso
ao ritmo das vagas habitadas pelo amor
dão.lhe um nome
perfeito
inscrito na ficha dos seus pés
abertos ao grito

a mulher de corpo inteiro
em mar azul habitua.se
lenta
mente
a murmurá.lo e a pronunciá.lo
para fora da sua solidão
redimida no texto feito de si e em si
na vigésima segunda hora
do primeiro dia
de um mês frio e
projecta.se como campo lavrado à vida
no interior do seu corpo

-widmanska.

07/07/09

(des)construção 1 .esconjuro

......sou
um corpo
...............retido em
....................outro corpo
..................................colados
..................................ao
..............................................vazio

..............................................em canto lento
..............................................o vento
estende.nos
o arrasto

.................... .
.................... esconjuro
.................... .

os barcos à deriva
... na saída da barra

-augusto mota.

05/07/09

a deus

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_______o poeta é um deus a manipular bufões
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03/07/09

diálogos cúmplices 3.somos muito mais memórias do que almas

-à Isabel M Ferreira
,porque há "palavras" que deixam impressão digital

às vezes as máscaras vestem o medo .às vezes não . às vezes as melissas alvitram as histórias .às vezes não .às vezes despem as asas e deixam.nas penduradas nas solidões humanas .somos nós .os apicultores das odisseias marítimas que inventam cartas de marear .assistimos à dança das tormentas e inventamos monstros que pululam as vagas do desassossego .o mito transforma.nos .somos muito mais memórias do que almas .às vezes carecemos de definições a fim de persistir os diálogos .às vezes não .às vezes precisamos do tu como forma perfeita de comunicar .biografica mente somos o outro .um Pessoa sem história pessoal .a realidade antevista em direcção ao presente .insignificantes na avidez cosida em solidões de cafés e não reconhecidos no pós ser . amestrados .às vezes amamos por distracção .às vezes não .as epístolas tecem as rendas dum futuro cristalizado no presente .sugamo.lo e desenhamos em palavras a matéria sublime .re definimo.la.
às vezes somos um mapa de antecipações .às vezes não

-heinz zander.

01/07/09

phototext & steven kenny


-steven kenny
poema ,edição e manipulação de gabriela r martins.

Pina Bausch - homenagem//memória pre(s)sentida


1940/2009
... porque teimam os deuses em ser tão possessivos? ...
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29/06/09

regresso



como a ave que adormece
entre as mãos do poeta

retorno ao húmus da terra
exangue para
remoçar
entre as pedras e as árvores
densas

da barbárie

-pascal renoux.

21/06/09

cante vinte - um rasgo de deus

ser do desejo o vértice
o abismo abrupto do mar
o vagabundo das estrelas
ou o absoluto de nós

é ser de tudo o nada

ou

um rasgo de deus

em mão fechada


-ragnes sigmond.

15/06/09

cante dezanove . a noite

sobre os meus braços
os nossos corpos descansam
no único lugar onde o dia e a noite cegam e
a violência do sol cobre de musgo os teus ombros

............a lua pousa os pés sobre um casaco de vento

é cedo
muito cedo............ amor
as tempestades com fundem o meu corpo no teu e
tu deslizas ao encontro do a manhe ser
lá fora
dentro de nós
o silêncio inclina.se sobre a almofada dolente do desejo e
os nossos corpos abertos
fecham.se no encontro das cúpulas solares
ninguém
se tem num tempo de esperas e
tu ousas o sopro breve que me com funde
na mutação dos teus cabelos

é tempo
de esconder o peito nas sombras do en tarde ser
deixar a noite abrir.nos em igual compasso ou
moer em pranto a terra sedenta

............nós

alheados ao trabalho das vagas
oscilaremos sobre as escarpas que
esconderão em nossas bocas
a lucidez de a mar
enquanto íntimas
as máquinas desabitarão as memórias


-ken weissblum.

13/06/09

tributo a martin lapine

miro o pássaro de sombra
que entra no meu quarto
com as asas presas a um fio de silêncio e
penso:
as 'ruínas' dormem com o sofrimento dentro