às vezes os corpos flutuam num silêncio rasgado
à espera de um pouco mais de fresco
como se a premonição de morte
se inscrevesse nos dogmas nocturnos
alguém procura desenhar no vento
um rio de poemas e
deixá.lo seguir os movimentos
dos dedos e das canetas
como um leito de chamas
que se ateia em corpos ressequidos
quem infringe a rima fora da linha do horizonte?
há movimentos a mais nas folhas que se entregam à tinta
quando a aridez se confunde com a fornalha
de um vulcão que se reacende
há um mestre nado morto
oscilante entre o silêncio e a larva bruta
que tudo devora
como se o pouco que resta do silêncio
fosse o húmus
inscrito na radiografia
do poeta tuberculoso e louco
o apocalipse é a visão que aflora
a água ou o fruto proibido
que dos versos brota
no crepúsculo dos dias ousados
como na mente do poeta as palavras
oscilam entre a razão e a insanidade
tudo se confunde no cansaço
de uma tarde onde se existe sem se saber
como
ou porquê
quem ousa acordar o sono fora de horas?






















